Portugueses não conseguem poupar!

Portugueses não conseguem poupar!

PORTUGUESES NÃO CONSEGUEM POUPAR

Apesar da economia do país apresentar melhorias relativamente aos anos anteriores, o que é certo é que as famílias portuguesas continuam a endividar-se e a ter pouca margem de manobra para poupanças. O desemprego baixou, o nível de compra dos portugueses aumentou, mas as condições de vida das famílias portuguesas estão longe de serem as ideais. Segundo dados da Deco/Proteste tornados públicos no mês passado, o desemprego ronda os 20%, mas para quem tem emprego, 19% viu as suas condições laborais piorarem.

Estas duas aliadas a uma percentagem de 12% de penhoras, contribuíram para que as famílias portuguesas tenham uma taxa de esforço que ronda os 80%. Mas segundo essa associação de apoio ao consumidor, há 3 novas causas para este sobre-endividamento: encargos com a saúde, as despesas com o apoio a pais ou avós (por exemplo em lares) e a reforma antecipada, que diminui os anos com rendimentos.Portugueses não conseguem poupar!

 

 

O rendimento médio mensal também piorou, comparando 2017 com 2018. Em 2017, o rendimento era de 1200 euros, mas em 2018 baixou para 1150 euros. Todos estes dados mostram que cada vez mais é difícil poupar, já que em muitas situações, o rendimento mal chega para as despesas mensais quanto mais para colocar dinheiro de lado. Dos principais encargos que tem um agregado familiar, o pagamento da casa, do carro, despesas com educação e saúde são as que têm mais peso. Mas há muitas outras: alimentação, despesas com luz, água, gás, telecomunicações, créditos pessoais, encargos com transportes, etc. Segundo o estudo apresentado, 70% das famílias portuguesas vivem com dificuldades financeiras, 7% em pobreza e só 23% vive confortavelmente sem ter que fazer contas à vida todos os meses.

RENDIMENTOS NÃO CHEGAM PARA DESPESAS

Olhando para os números apresentados pela Deco, e tendo em conta os vários tipos de família em Portugal, podemos tirar várias conclusões. Dentro das famílias constituídas por casais jovens sem filhos, 74% vive com dificuldades financeiras, 8% vive na pobreza e 18% confortavelmente, números que acabam por ser uma surpresa, já que não tendo filhos, a expectativa seria mais favorável. No entanto  nas famílias com um casal mais dois filhos, os valores são praticamente os mesmos que os anteriores.

Nas famílias monoparentais, 32% vive na pobreza, 65% com dificuldades financeiras e só 3% vive desafogadamente, números expectáveis já que estamos a falar de um só rendimento para duas pessoas. Nas pessoas que vivem sozinhas, 2% vive na pobreza, 67% com dificuldades económicas e 31% com conforto. Finalmente, nos casais de reformados, 1% vive na pobreza, 54% vive com dificuldades e 45% desafogadamente.

Portugueses não conseguem poupar!

A percentagem de pobreza nos reformados acaba por gerar alguma surpresa, pois num país onde as reformas são tão baixas e onde os reformados têm tanta dificuldade em enfrentar as despesas mensais, adivinhava-se um valor superior. Em jeito de conclusão podemos dizer que os portugueses não têm sequer margem de manobra para poupar e acabam por apertar o cinto todos os meses, lamentavelmente a maioria da população sobrevive ou vive com a «corda na garganta».