O perigo do crédito fácil!

Normalmente temos a ideia que os bancos só emprestam dinheiro a quem já o tem, e no fundo, esta afirmação tem algum fundo de verdade, já que as entidades bancárias precisam de garantias para conceder crédito. As escolhas de atribuição de crédito são criteriosas e cada vez mais rigorosas.

O crédito ao consumo está novamente em alta e cada vez mais há facilidades para o pedir, a maior parte das vezes até é solicitado online, não sendo necessário deslocar-se fisicamente para o pedir. Os bancos fazem atualmente várias campanhas agressivas através de publicidades nos seus balcões, no site do próprio banco, por telefone, etc. Por esta razão tem de estar bem atento e informado sobre as melhores soluções para não optar pela escolha errada.Este tipo de crédito é apelativo, pois é de aprovação rápida e pode pedir montantes desde os 1000€ até aos 75.000€.

A conjuntura mudou

Há uns anos atrás, a «oferta» de créditos ao consumo era tanta que até era efetuada por telefone, isto antes da crise por que passamos e em que sofremos uma travessia no deserto. Os créditos eram difíceis de conseguir e com taxas de juro tão elevadas que eram muitas vezes impossíveis de as inserir no orçamento mensal. Em 2013, no auge da crise, foram concedidos cerca de 4500 milhões de euros. O período entre 2003 e 2007 foi o auge na concessão de crédito ao consumo em que o montante médio anual atingiu os 10.828 milhões de euros.Comparando estes valores com os anos mais recentes, segundo o Banco de Portugal, no primeiro semestre de 2018 foram concedidos cerca de 3600 milhões de euros, valor 18% acima do mesmo período em 2017.

Como decidir?

Antes de tomar qualquer decisão tenha presente o sobre-endividamento das famílias portuguesas, ou seja, quando os rendimentos permitem apenas pagar as despesas mensais sem sobrar nenhum dinheiro até ao final do mês. Em algumas famílias há a tendência de pedir créditos para resolver esta situação, mas isto tornar-se um ciclo vicioso.

Antes de pedir um empréstimo tenha presente que a totalidade dos seus créditos não deve ultrapassar 35% do seu orçamento familiar. Tente só solicitar o empréstimo em última necessidade, com um valor baixo e no prazo menor que conseguir.  Informe-se sobre as taxas de juro, compare com outras entidades, faça várias simulações (tem inclusive um simulador na página da Deco Proteste e em outros sites onde coloca o valor que deseja pedir e o número de anos em que quer pagar e dá-lhe imediatamente as melhores opções). Tenha em conta a TAEG (taxa anual efetiva global), os seguros associados ao crédito, e as respetivas comissões do processo.

Como escolher?

Num estudo efetuado no Verão do ano passado a várias instituições de crédito e simulando dois tipos de crédito com valores e prazos para pagamento diferentes foi concluído que o melhor banco para pedir créditos é o ActivoBank, em qualquer uma das situações.

Na primeira simulação, para um crédito de 2500 euros a pagar em 24 meses, ficou em segundo lugar o Crédito Agrícola, seguido do Millennium BCP, BPI e por último Cetelem.

Na segunda simulação, para um pedido de crédito de 10 mil euros a pagar em 48 meses, ganhou novamente o ActivoBank , seguido da Credibom, Cofidis, Unibanco e por último novamente a Cetelem. Saliente-se o facto que o banco que tem a TAEG mais baixa é o que lhe oferece o melhor valor. É esta taxa que engloba custos do empréstimo, comissões, seguros e impostos. Para estes casos, a TAEG apresentada pelo ActivoBank na primeira situação era de 9%  e na segunda simulação de 7,7%.  Em compensação, o Cetelem, que ficou em último nas duas simulações, apresentou na primeira situação uma TAEG de 11,5% e na segunda simulação, 11,2%.

Como pedir um crédito?

Atualmente, pedir um crédito está ao alcance de qualquer um à distância de um clique. Basta aceder a um computador ou ao seu telefone, entrar na página do banco ou entidade financeira, fazer a simulação do montante e do prazo para pagamento e de imediato tem o resultado do valor que irá pagar durante os meses que escolher. Mas atenção que com isto o crédito não está aprovado. Por norma, tem de enviar ao banco ou entidade os documentos solicitados que normalmente são os seguintes: documentos identificação dos titulares, última declaração IRS, comprovativo NIB, últimos extratos bancários e últimos recibos de vencimento dos respetivos titulares.

Há casos excecionais de clientes que já têm créditos pré aprovados na sua homebanking com todos os pormenores relativos a esse crédito (prazo, taxas juro, comissões abertura, etc) e é só selecionar em aceitar que o dinheiro fica disponível em alguns dias. Noutras situações, tem também a opção de pedir que o plafond do seu cartão de crédito caia na sua conta à ordem.  Mas atenção que este caso implica sempre custos cobrados pelo banco além das taxas de juro próprias do seu cartão de crédito.

Há uma novidade no universo das entidades credoras chamada Puzzle, ligada ao BNI Europa, que se encontra disponível online e 24 horas por dia. Nesta entidade pode pedir um crédito até 5 mil euros, a 48 meses, e tem resposta imediata. O montante é transferido em 24 horas.

Se o crédito for recusado

Se o crédito for recusado por dever-se a várias questões, mas analise primeiro qual foi a sua situação, pois por vezes poderá ter solução. Na maior parte das recusas, estas devem-se essencialmente por causa de 3 fatores:

– Incumprimento – caso o seu nome esteja ligado a algum crédito que não foi cumprido e esteja no Banco de Portugal como incumpridor.

– Taxa esforço elevada – significa que os seus rendimentos não estão a ser suficientes para fazer face às despesas que possui. Se já tem demasiados créditos ou se os seus rendimentos não dão para cobrir os seus encargos, então, efetuar mais um crédito iria colocar a família numa situação de desconforto e de problemas financeiros

– Demasiados Créditos – os bancos, por norma, não têm uma boa imagem de pessoas que têm demasiados créditos, pois acaba por passar a ideia que o indivíduo não sabe fazer uma boa gestão do seu orçamento e que, por essa razão, acede frequentemente a entidades de crédito.

Compromisso financeiro

Em conclusão, pense que, os bancos ao concederem-lhe um crédito tiram muitas contrapartidas, não lhe estão a fazer um favor. Não peça o crédito por razões desnecessárias. O crédito pessoal para muitas pessoas tornou-se um hábito, porque é de fácil acesso e de resolução rápida. Analise bem a sua situação pois poderá ter outras soluções de recurso bem mais simples, como cartões de crédito, poupanças ou mesmo os subsídios. As taxas praticadas são altas e não deixa de ser um compromisso de futuro para uns bons anos.